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Redondo – Terra de vinhos, de barros e cantorias

Joao Paulo Martins

O vinho que seleccionei hoje funciona como uma homenagem à região do Redondo, terra onde desde tempos ancestrais se fazia vinho, sobretudo em talhas e frequentemente também em lagares. Esta zona, no sopé da serra d’Ossa e por ela abrigada, gerou sempre vinhos abertos de cor, a partir de uvas plantadas em terrenos de xisto. Aqui, como em várias outras zonas da planície, imperavam castas como a Trincadeira e o Aragonês, temperadas frequentemente com o Castelão, casta que durante décadas era mais conhecida como Periquita. Aqui os vinhos estagiavam em grandes tonéis antes de serem colocados no mercado. Não eram assim vinhos marcados pela madeira até porque as barricas novas apenas surgiram no final dos anos 80 e década de 90 do século passado. A região tinha um grande produtor – a adega cooperativa – que mesmo nos anos 80 tinha vinhos Garrafeira que se tornaram muito famosos (e, para a época, com uma apresentação muito bem conseguida e atraente) e foi a partir de fInais de 90 que começaram a surgir outros operadores como Roquevale e a Herdade São Miguel. Apesar da produção de vinho, o Redondo esteve sempre muito ligado à olaria e os barros do Redondo são dos mais famosos do Alentejo. Temos malgas para o vinho da terra, temos cantorias que aqui não faltaram e temos as carnes, sobretudo as carnes de borrego e de porco de montado para alegrar as nossas mesas. E se for caso disso, podemos sempre colocar no leitor de CD um disco de Janita Salomé ou mesmo de Vitorino, sobretudo os da primeira leva, como o, que aqui recordo com saudade, Semear Salsa ao Reguinho.

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