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Milfontes, a improvável terra de vinhos

Joao Paulo Martins

A região de Milfontes é uma das mais belas e mais procuradas zonas turísticas da costa alentejana. É uma região que ganhou notoriedade também pela produção frutícola mas benos conhecida pela produção de vinhos. O pioneirismo neste campo deverá ser atribuído à Herdade das Cortes de Cima, cuja base é a Vidigueira e que, há 10 anos, adquiriu uma propriedade, exactamente nesta zona, a poucos quilómetros do mar. Esta proximidade acarreta imensos problemas porque as doenças da vinha, sobretudo oídio, são muito ferozes neste ambiente onde a humidade se associa ao calor. Quando se consegue controlar as pragas, tira-se então partido dos benefícios dessa localização: mais frescura derivada de uma maior acidez, mais elegância e menor teor alcoólico. De lá já tínhamos conhecido um varietal de Alvarinho e um tinto de Pinot Noir Cortes de Cima e surge agora um novo, um lote improvável de duas castas da região dos Verdes, aqui manipuladas pela mão de Anna Jorgensen, nova enóloga e filha dos proprietários. A costa vicentina ganha assim novos atributos mas exige-se muita competência técnica aos aventureiros. Como os tempos correm favoráveis aos vinhos com menos álcool e menos cor, esse é um trunfo desta zona costeira. Mas esses mesmos tempos correm favoráveis aos vinhos pouco intervencionados. Essa é a tarefa, bem mais difícil, que Anna tem pela frente.

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