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Lá longe, no Douro Superior

Joao Paulo Martins

O Douro Superior é uma das três zonas em que se divide a região Demarcada do Douro. Sempre foi, até anos recentes, uma região quase abandonada, pouco povoada e de clima semi-desértico. De facto, além de algumas quintas que se situavam à beira rio e que foram criadas no séc. XIX, como Vesúvio, Vale Meão ou Vargellas, o povoamento  vitícola do Douro Superior é um fenómeno recente que terá começado há cerca de 40 anos. De então para cá praticamente toda a frente ribeirinha, essencialmente da margem sul do rio, passou a ser ocupada com vinhas, algumas delas de dimensão importante. Falamos então de quase 10 200 ha de vinhas que, aos poucos, se foram também estendendo para zonas mais interiores. Isso é bem visível no concelho de Foz Côa, onde encontramos as vinhas e a adega do vinho que hoje selecionamos. Cultivar vinha e fazer vinho no Douro Superior é bem mais fácil do que em zonas mais húmidas ou chuvosas; aqui a secura do clima ajuda porque há menos pressão de doenças da vinha como míldio e sobretudo, oídio. A secura climática é superada com o recurso (onde tal é possível) à água do rio. Embora tradicionalmente se diga que a vinha não precisa (ou não deve precisar) de rega e que o que é preciso é escolher bem as plantas que resistam ao clima, a verdade é que todas as vinhas novas recentemente plantadas estão a usar a rega para conseguir uvas sãs e produtivas. Nas zonas mais altas da região conseguem-se também produzir bons brancos, sobretudo a partir das castas mais tradicionais, como sejam a Rabigato, Viosinho e Verdelho. As dificuldades dos produtores daqui são as mesmas das outras regiões do Douro: falta de mão de obra, preço baixo a que são pagas as uvas, muito baixa produtividade por hectare. Tudo isso não impede que alguns dos mais famosos vinhos DOC Douro tenham origem no Douro Superior.

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