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Algarve, castas antigas, vinhos novos

Joao Paulo Martins

Pela receita que esta semana nos é proposta pelo Chefe Nuno Bergonse –  um crème brûlé – o que seria mais indicado, em termos de vinhos, seria um licoroso. O Algarve desde há muitos anos que produz vinhos desta categoria. A verdade é que este tipo de vinho, em que a fermentação é interrompida pela adição de aguardente e daí resulta um vinho naturalmente mais ou menos doce conforme o conceito, a verdade é que se pode fazer em qualquer região do país.  A marca Afonso III existe há décadas e mostrou que com cuidados enológicos e bom acompanhamento do envelhecimento, é possível fazer um bom licoroso. Hoje estes vinhos têm sobretudo uma divulgação regional e por isso não são fáceis de encontrar no mercado. Assim, e embora sabendo que seria a ligação mais adequada, vamos falar de um outro vinho algarvio, o Quinta da Malaca Crato branco. Durante muitos anos esta era uma casta identitária da região mas, com a uniformização da sinonímia das castas, passou a chamar-se Síria, uma vez que é a mesma variedade que abunda na Beira Interior e também no Alentejo. Ali é autorizado o uso do nome Roupeiro. Temos então que Crato branco, Síria e Roupeiro são uma e a mesma casta. Embora hoje seja possível fazer brancos com muitas castas, nomeadamente vindas de fora do Algarve, a tradição impunha nomes e variedades com Tamarez, Manteúdo, Diagalves, Perrum, Monvedro ou Rabo de Ovelha. Todo esse passado foi rapidamente absorvido pelas novas variedades, mais atractivas de aroma e mais fáceis de vender, nomeadamente aos turistas. Foi assim que surgiram por aqui a Sauvignon Blanc, Alvarinho, Viognier, Chardonnay e Arinto entre outras, todas elas mais presentes nos rótulos e nos vinhos do que as variedades antigas. É o Algarve a adaptar-se às novas tendências do gosto.

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